O vazio aqui é etéreo. Os quadros de Tojal e as luzes suspensas no tecto continuam no mesmo sítio. Sustêm a respiração para não se moverem um milésimo de prazer que seja. É triste presenciar esta prisão que aparenta ser pior do que a minha. Em dias, é mais fácil suportá-la do que em outros. Os "Momentos" que me envolvem apresentam-se monocromáticos, dispostos de modo a sufocarem-me com aquilo que vejo, mas não consigo ter. Uma presença. A mão entrelaçada na tua.
um canto claro
deixei de comprar cigarros há duas semanas atrás, na tentativa de procurar uma alternativa para o extermínio do meu nervosismo. ultimamente é o que me tem acontecido. nem os slim da karelia ou os camel parecem resultar mais comigo. continuo a sentir o bater acelerado do meu coração, bem como o estremecer da minha boca. pareço uma orquestra coordenada de pânico e medo, já não sei o que fazer. este pavor de voltar àquele início sem retorno tomou conta do meu corpo. tu tomaste conta do meu corpo. quero-me libertar.
Solidão é uma palavra obscena. Pode ser crua, fria e não ter nada para nos oferecer. Mas mesmo assim, parece que esse cheiro repugnante, que se faz deixar passar, atraí-me de um modo que não sei replicar em palavras. Eu quero estar sozinha, mas não quero estar sozinha. Porque é que tudo em mim tem de ser complicado? São nessas fracções de momento que gostava de ser normal, como todos os anormais que se julgam felizes mas não são.
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