O vazio aqui é etéreo. Os quadros de Tojal e as luzes suspensas no tecto continuam no mesmo sítio. Sustêm a respiração para não se moverem um milésimo de prazer que seja. É triste presenciar esta prisão que aparenta ser pior do que a minha. Em dias, é mais fácil suportá-la do que em outros. Os "Momentos" que me envolvem apresentam-se monocromáticos, dispostos de modo a sufocarem-me com aquilo que vejo, mas não consigo ter. Uma presença. A mão entrelaçada na tua.
um sobressalto do meu corpo sobre as tuas linhas de comboio condutor. num instante, todos os medos banais deixaram de fazer sentido.
esperei por ti em todos os lugares errados / (...) / viver, diziam-me, era assim e não havia mistério nenhum nisso, apenas um roteiro obscuro estabelecido entre o que tem de acontecer e aquilo que não acontece nunca.

feel my silence...

passas sempre por mim com o teu ar subtil, de headphones e com um livro pequeno na mão. tens o olhar sempre posto sobre o mar, olhos meios sonolentos e tristes. um dia gostava de saber que música ouves todos os dias e que género literário mais aprecias. estou cansada de odiar-te com tanto amor.
modos de terapia:
I´m a big bird in a small cage.
deixei de comprar cigarros há duas semanas atrás, na tentativa de procurar uma alternativa para o extermínio do meu nervosismo. ultimamente é o que me tem acontecido. nem os slim da karelia ou os camel parecem resultar mais comigo. continuo a sentir o bater acelerado do meu coração, bem como o estremecer da minha boca. pareço uma orquestra coordenada de pânico e medo, já não sei o que fazer. este pavor de voltar àquele início sem retorno tomou conta do meu corpo. tu tomaste conta do meu corpo. quero-me libertar.
às vezes sinto não ter mais palavras para te dizer. parece que te tornaste num lugar estranho onde tenho medo de entrar. onde só o vazio ecoa aos meus ouvidos. 





















San Francisco.

Despir-te. deixar-te a preto e branco. já não quero mais memórias escondidas.


Solidão é uma palavra obscena. Pode ser crua, fria e não ter nada para nos oferecer. Mas mesmo assim, parece que esse cheiro repugnante, que se faz deixar passar, atraí-me de um modo que não sei replicar em palavras. Eu quero estar sozinha, mas não quero estar sozinha. Porque é que tudo em mim tem de ser complicado? São nessas fracções de momento que gostava de ser normal, como todos os anormais que se julgam felizes mas não são.

Não tenho nada a oferecer-te.



superbe



gostava que as nossas vidas fossem como uma vitrina de loja. apenas olharíamos de frente para as coisas boas e desejáveis, deixando para lá do nosso olhar aquilo que mais nos desagrada e aflige. seríamos, então, felizes ou viveríamos somente uma breve farsa?